Tendência. Sustentabilidade é o negócio
12.02.2017

Foto: EVILÁZIO BEZERRA

Lígia Costa

O lucro por si só perdeu força no mundo dos negócios e a sustentabilidade se transformou em tendência. Além de promover o uso racional dos recursos naturais, a sustentabilidade está intimamente ligada ao corte de gastos de uma empresa. Preservar o meio ambiente ao mesmo tempo em que se equilibram as finanças, inclusive, é estratégia adotada por algumas empresas no Ceará, seja a partir do uso de energia elétrica proveniente do sol e dos ventos ou pela venda de biogás gerado pelo lixo.
 

A caminho de iniciar suas atividades, a Gás Natural Renovável Fortaleza (GNR Fortaleza) pode começar a distribuir ainda este ano o biometano - semelhante ao gás natural - para o Ceará. A matéria-prima para a produção do insumo são dejetos do Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc), que recebe diariamente cerca de 5.500 toneladas de lixo, boa parte gerado na Grande Fortaleza. “Encaramos o aterro não como uma pilha de lixo, mas como um campo de gás. Queremos começar a produzi-lo a partir de setembro. Até maio, vai estar tudo montado aqui”, garante Motta Júnior, diretor da GNR Fortaleza. Ele refere-se às máquinas e demais equipamentos que fazem a captação e purificação do metano, gás de efeito estufa transformado em CO2 (dióxido de carbono), que é 21 vezes menos poluente.
 

O único empecilho, segundo ele, é a espera pela construção de um gasoduto, a partir do qual será feita a distribuição do biogás. A obra terá 24 quilômetros de extensão e deve ser iniciada na semana que vem pela Construtora Elevação, empresa vencedora da licitação aberta pela Companhia de Gás do Ceará (Cegás), responsável por explorar o gás canalizado no Estado.
 

Sociedade entre a empresa baiana Ecometano com o grupo cearense Marquise, por meio da Ecofor Ambiental, o projeto GNR Fortaleza busca minimizar a emissão de gases de efeito estufa, ao passo em que almeja se tornar a maior usina de biogás do Brasil, com capacidade para produzir até 150 mil metros cúbicos (m³) de biometano por dia. “Vamos gerar um quarto do gás do Estado. Inicialmente, vai ser alocado apenas para a indústria devido a um processo de regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)”. Em um ou dois meses, estima, o gás já poderá ser injetado na rede de distribuição para casas, estabelecimentos e até veículos, em substituição ao diesel.
 

Hugo Nery, diretor de serviços ambientais da Marquise, calcula que até agora foram investidos cerca de R$ 60 milhões no projeto. A estimativa é que, até o final, o montante dobre para R$ 120 milhões e o valor aplicado seja recuperado.

Fonte: http://mobile.opovo.com.br/jornal/dom/2017/02/tendencia-sustentabilidade...